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Cerca das 14 horas, Agostinho Neto, presidente da Repblica, faz a sua primeira interveno. Nesta, como nas outras intervenes, estar sempre sentado numa cadeira de baloio. Em tom grave, informa o pas de que destacados membros da direco poltica e das foras armadas tinham tentado manifestar pela fora das armas o seu descontentamento pelas sanes disciplinares que lhes tinham sido aplicadas pelo Comit Central do MPLA. Moderado e conciliatrio, apela ao dilogo e razo, embora conclua: Eles foram expulsos e, na minha opinio, foram muito bem expulsos do Comit Central. E tero de fazer um grande trabalho de reabilitao para poderem regressar s fileiras do Movimento como dirigentes. Na sua segunda mensagem televisiva, pelas 18 horas, o presidente da Repblica informa terem sido detidos pelos nitistas alguns altos dirigentes civis e militares.

Author:Kajilrajas Malashakar
Country:Vietnam
Language:English (Spanish)
Genre:Relationship
Published (Last):16 September 2005
Pages:165
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ISBN:721-2-66355-316-5
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Cerca das 14 horas, Agostinho Neto, presidente da Repblica, faz a sua primeira interveno. Nesta, como nas outras intervenes, estar sempre sentado numa cadeira de baloio. Em tom grave, informa o pas de que destacados membros da direco poltica e das foras armadas tinham tentado manifestar pela fora das armas o seu descontentamento pelas sanes disciplinares que lhes tinham sido aplicadas pelo Comit Central do MPLA. Moderado e conciliatrio, apela ao dilogo e razo, embora conclua: Eles foram expulsos e, na minha opinio, foram muito bem expulsos do Comit Central.

E tero de fazer um grande trabalho de reabilitao para poderem regressar s fileiras do Movimento como dirigentes. Na sua segunda mensagem televisiva, pelas 18 horas, o presidente da Repblica informa terem sido detidos pelos nitistas alguns altos dirigentes civis e militares.

E como que adivinhando as mortes, declara: No sabemos se esto mortos, se esto vivos. So camaradas que deram toda uma vida para a liberdade do povo de Angola e que no sabemos bem onde esto, porque foram raptados, foram levados para lugares que ns no conhecemos bem. Os corpos sero encontrados, se estiverem mortos. Eles sero encontrados se estiverem vivos. No dia seguinte, o presidente da Repblica Popular de Angola profere a sua terceira mensagem televisiva.

Anuncia que os responsveis polticos e militares desaparecidos tinham sido mortos. Os fraccionistas no hesitaram em matar os nossos camaradas, em matar os nossos compatriotas. Diz pensar que o povo compreender a razo que leva a agir com cena dureza em relao a indivduos que agiram de m f. E promete expedita aco contra os que actuaram de maneira to evidentemente fascista.

Agostinho Neto fora poeta e mdico, era presidente da Repblica de Angola. O mdico jurara pela sua prpria honra, solene e livremente, consagrar a vida ao servio da Humanidade e manter o mais elevado respeito pela vida humana. Jurara, pois, respeitar e proteger a pessoa e a dignidade humanas, a vida, a liberdade, a integridade pessoal, o bom nome e a reputao de cada cidado artigo Tal como jurara que nenhum cidado seria preso e submetido a julgamento seno nos termos da lei, sendo garantido a todos os arguidos o direito defesa artigo Como j se disse, [ O mdico tambm deixara de exercer.

Quando ao presidente da Repblica, subitamente esquecido do que jurara, afirma dispensar o poder judicial, o que, no sculo XX, ainda nenhum chefe de Estado se atrevera a dizer.

Mas Agostinho Neto declarou: No haver contemplaes [ Seremos o mais breve possvel. Acabava de atear o rastilho para a mais brutal das represses. E comea logo na noite de 27 de Maio de Os dias seguintes Onde estavam os principais dirigentes polticos e militares do pas?

Neto encontrava-se no Futungo de Belas, Iko estava em parte incerta, Lara, segundo consta, no Lubango, a preparar-se para entrar na Nambia. Apesar das ausncias, a mquina repressiva comeou logo a funcionar. Na noite de 27 de Maio, h rusgas enormes no Sambizanga, no Rangel e noutros muceques da cidade de Luanda. Em todo o pas comeam a ser executadas centenas de pessoas, ligadas ao grupo de Nito Alves ou simplesmente suspeitas. Desencadeiam-se ajustes de contas pessoais, frequentemente com denncias fantasiosas, logo aceites pelasforas da ordem.

So particularmente atingidas pela represso as organizaes de massas do MPLA as mulheres, a juventude e os sindicatos , as Foras Armadas especialmente as tropas de elite da 9. E, tambm, os estudantes e intelectuais: na Hula, o principal dirigente poltico manda prender todos os que tinham concludo a 5. O poder rapidamente se torna intolerante e policial. Ao entrarem no Ministrio da Defesa, os detidos deparam com uma enorme queima de livros de Marx, Engels e Lenine, apreendidos nas casas invadidas.

E os presos dados como operacionais eram colocados numa cave, onde nem sequer tinham onde fazer as suas necessidades. Foram barbaramente espancados. O oficioso Jornal de Angola, a rdio e a televiso instilam o dio e o revanchismo. O Jornal de Angola publica editoriais intitulados: No pode haver tolerncia com os fraccionistas, Encontrlos e prend-los, Vingar os heris, Fuzilar os fraccionistas.

Anuncia, ainda, que os presos tinham comeado a confessar o propsito de derrubar o regime, a sua ligao ao estrangeiro e o seu racismo. A Rdio Nacional difunde insistentemente spots com as palavras de ordem: Mataram os nossos camaradas, no h contemplaes, Agarrem-nos e amarrem-nos j.

A televiso, por seu lado, mostra durante dias a ambulncia e os corpos dos dirigentes mortos. E no dia 30 de Maio, exibe Pedro Fortunato, o presidente da Cmara de Luanda, com a cara inchada, dizendo que era um criminoso, pois tentara matar o presidente Agostinho Neto. A viso dos vencedores transparece na longa metragem intitulada Anatomia, Fisiopatologia e Autpsia de Um Golpe, onde, apesar dos cuidados postos na montagem, se evidenciam as condies desumanas em que se encontram os detidos.

No Jornal de Angola o presidente Agostinho Neto insiste Quero garantir que os criminosos no sero perdoados. No dia 30 de Maio, o Governo pe em circulao novos txis Mercedes Benz, de cor amarela.

E surgem alimentos no mercado. Tais medidas davam a entender que os fraccionistas impediam a chegada dos alimentos e a introduo de novos meios de transporte.

No dia 31 de Maio, aumenta o nmero de militares nas ruas. Vem-se soldados jovens e alguns mestios e brancos. Estes tm fardas novas e so j de idade. As buscas so coordenadas por mestios. Em vrios servios fazem-se reunies contra os fraccionistas. O prprio ministro se senta na assistncia. A represso estende-se a todo o pas. Era o Dangereux da l. Passadas duas horas, este foi chamar o mdico Carlos Cavaleiro, a quem Dino Matross pediu que observasse Dangereux, a arder em febre. Foi medicado. E no dia seguinte levaram-no para Luanda, sob priso.

Comeam a ser organizados por todo o pas comcios de apoio a Agostinho Neto. No Uje, o comcio realizou-se no campo de futebol. Vrios oradores manifestam o seu apoio ao presidente. Ho Chi Minh encerra o comcio, declarando estar ao lado de Agostinho Neto. A polcia leva-o, depois, ao aeroporto, donde segue para Luanda, sob priso. O enviado especial de O Jornal fala duma onda repressiva desencadeada por Agostinho Neto e pelos que lhe estavam mais prximos.

Refere os soldados que, em cada esquina, revistam automveis e identificam pees, as rajadas de metralhadora que se ouvem de vez em quando, o vaivm constante de transportes militares, as rusgas gigantescas nos muceques, a actuao em larga escala da polcia poltica DISA nos meios intelectuais e estudantis, as prises que se enchiam, o recolher obrigatrio, a proibio do envio de notcias para o estrangeiro. Destaca os spots radiofnicos com violentos ataques aos fraccionistas, alternando com frases dos discursos de Neto e palavras de ordem do MPLA: preciso encontr-los, amarr-los e fuzillos, grita-se na rdio e na televiso.

A Luta, por seu lado, escreve: As prises enchem-se de novo. Os luandenses trocam telefonemas ansiosos, procurando localizar conhecidos. A resposta mais frequente era Foi fazer uma viagem a Cuba, o que significava que fora preso ou fuzilado ou, na melhor das hipteses, seguira para um campo de concentrao.

A necessidade dereaquecer o ferro para o bater decorria, segundo o editorialista Costa Andrade Ndunduma we Lepi , do recrudescimento da reaco interna, que recorria ao boato. Boato que incidia, em primeiro lugar, no estado de sade de Agostinho Neto, ento na Unio Sovitica. Vir a ser-lhe detectado um cancro no pncreas. Em Agosto de , a emissora catlica Rdio Eclsia, encerrada na sequncia do 27 de Maio, continua sem emitir.

E uma Nota Pastoral declara arbitrria a deteno e prolongada priso de sacerdotes por suspeitas gratuitas, jamais provadas. Os bispos enviam um pensamento de simpatia e de solidariedade para com os raptados e detidos nas prises.

No apogeu do terror, tero ido agradecer o contributo dos soldados cubanos para esmagar as aces encabeadas por nitistas.

Motivos para se ser preso Os motivos para se ser preso em Angola, nos dias a seguir ao 27 de Maio, podiam ser os mais diversos e estranhos. O possuir bens que eram motivo de cobia, o ser conhecido, amigo ou familiar de um fraccionista, o ter manifestado desgosto com a forma como as coisas corriam, o ter tido a pouca sorte de estar na rua, o ser militar ou intelectual e estudante, grupos sociais que tinham manifestado apoio aos nitistas ou eram crticos.

Num relatrio com as concluses do interrogatrio feito a cerca de meia centena de portugueses expulsos de Angola, quase todos declaram ter sido bastante maltratados. Falam das ms condies da priso, da pssima alimentao e da inexistente assistncia mdica. Alguns tero sido detidos com base em denncias annimas. E dezena e meia atribuem a deteno ao facto de elementos da DISA pretenderem apoderar-se dos seus bens. Os militares vindos da frente de combate e chegados a Luanda a seguir ao dia 27 eram presos e enviados, sem qualquer processo, para campos de concentrao.

Muitos dos que morreram, nem sequer sabiam quem era Nito Alves. E eram muitos os que tinham menos de 18 anos. Entre os detidos contam-se, at, soldados que nem estavam em Angola no dia 27 de Maio, mas sim em Cuba ou na Unio Sovitica, em tratamento. Um professor portugus de Economia, um cooperante casado com uma holandesa, deu uma aula sobre a Administrao do Territrio.

E lembrou-se de convidar o ministro da Administrao Interna. Azar o dele, pois o ministro era Nito Alves. Acabou preso na Cadeia de S. Paulo, como implicado no golpe. Houve pessoas que foram presas e at mortas, porque eram amigos ou parentes afastados. Pior, quando eram parentes prximos. Bernardo Panzo Ngongo, ento com 92 anos, esteve preso durante nove meses. Era o pai de Nito Alves. Entrevistado quando tinha anos, disse ao jornalista que o filho lhe dissera ter pretendido fazer uma manifestao e no um golpe.

Prenderam muitas mulheres e amigos.

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